Mala da História

Mala da História

“Não me prendo a tema. Os meus assuntos são meia dúzia de coisas, meus cavalinhos de batalha, como a literatura e o teatro infantil e a educação.”

Tatiana Belinky

O Projeto Sementinha (ou a escola debaixo do pé de manga), acolhe crianças de 4 a 6 anos que não tem nenhum tipo de atendimento em educação infantil formal, cujo espaço escola é toda a comunidade. Os conteúdos são todos os saberes aprendidos e os instrutores são aqueles que junto com o educador que conduz a roda diariamente, produzem e trocam conhecimentos por meio de uma aprendizagem lúdica e envolvimento comunitário, construindo aprendizado com respeito, responsabilidade e desenvolvimento de cidadania.

Mala da HistóriaA partir dessa vivência nas comunidades de Santo André tivemos a oportunidade de conhecer e aprofundar muitas histórias que os educadores, crianças, pais e comunidades tem trazido para as rodas, porém, tínhamos um desejo de fomentar o potencial criativo de expressividade ao contar uma história e também o desenvolvimento artístico e estético que impulsiona as criações Individuais e coletivas. Criamos então o Projeto Mala da História, com o objetivo de levar mais e melhor literatura infantil às crianças, educadores e pais nas comunidades, promovendo contação de histórias, criatividade, imaginação, socialização, envolvimento comunitário e aprendizagem lúdica por meio dos livros e seus desdobramentos pedagógicos nas rodas do Projeto. O objetivo é que todos exerçam sua cidadania, desenvolvam o gosto e o prazer pelas histórias, além de fortalecer os vínculos de afetividade entre a criança e a família e estimular a alfabetização naturalmente, respeitando os processos de construção de conhecimentos de crianças na faixa etária dos 4 aos 6 anos.

Num primeiro momento oferecemos aos educadores uma Oficina de contadores de histórias com objetivo de estimulá-los na contação de histórias, criar repertórios diferenciados e descobrir formas de contá-las. Paralelamente efetuamos uma Pesquisa e compra de títulos de literatura infantil e desenvolvemos junto a um fabricante de malas um design de uma mala com rodinhas que ao ser aberta se tornaria uma mini-biblioteca itinerante. Ela percorreria todas as rodas do núcleo com seus livros e um Diário de bordo – caderno onde ficaria registrada a chegada da mala no núcleo, sua passagem pelos pontos de encontro, memória do trabalho executado com falas, atividades e resultados. Após a compra das malas e dos livros cada núcleo desenvolveu com materiais diversos a imagem que teria a sua.

Depois da implantação em 2004 as malas circulam por um período no núcleo de origem e passam a “viajar” com suas histórias para outros núcleos, já que cada uma contém livros diferentes, levando produções artísticas e histórias contadas por todos que dela se apropriaram e que ficam relatadas no diário de bordo.

Atualmente temos 24 malas com 800 títulos que vêm circulando a cidade, subindo morro, descendo ruas, entrando em casas, igrejas, postos de saúde, praças e escolas levando historias, construindo historias e conhecimentos com todos que param para ouvir ou para contar uma história. Fazemos o acompanhamento das produções e avaliações e impactos que esta ação traz para o desenvolvimento das crianças e das comunidades, com encontros para troca de experiências nos núcleos. Estamos desenvolvendo a Confecção de um livro com histórias surgidas no Projeto

A chegada da mala no ponto é sempre uma euforia, assim Deixei todos manipularem os a vontade, mas antes realizamos Alguns combinados como : não amassar, rasgar, falar devagar, Olhar bem as figuras... Depois as próprias crianças escolheram o Livro “A Rainha das cores”.

Núcleo Camilópolis – Educadora Sonia

E bom entrar nos livros, ampliar nossos conhecimentos”.

Educadora Penha – Núcleo Pq Miami.

“Conseguimos fazer com que os pais também participem, lendo, ouvindo e contando histórias para seus filhos.”

Kelly – Coordenadora do Núcleo São Jorge

Aprendi a diversificar o modo de contar história, utilizo fantasias e interpreto para as crianças, me envolvo no íntimo da história.”

Helena – educadora Parque Andreense.

“ A passagem da mala no nosso espaço foi incrível, pois com isso despertou ainda mais a criatividade e a imaginação das crianças e a minha também.”

Suzi – educadora